Vi o sentimento
brotando do fundo do âmago, e se começa de lá é porque é de verdade, e vi chegando
ao fim do túnel sem gosto algum. Como plenos desconhecidos se debatendo em
olhares rápidos numa passagem pela avenida paulista. Mas é assim mesmo, alguns
amores começam doces e terminam amargos, repetindo o velho e ardoroso clichê, é
um café que queimou, mas que foi usado e no outro dia reusado, virou café
requentado numa vitrine da Oscar freire onde pobre não entra e tudo volta ao
normal, separados não por barreiras ou obstáculos, mas distante por uma força
imaterial chamada fim. As noites vão mais frias que as passadas, às vezes
penso, em fazer da solidão a minha opção, ela seria então meu barco e eu seria
a vela, o mastro que a guia, para lugares silenciosos, típico de quem já morreu
e não admite, mas não aqui, deforma alguma, quero tornar essa crônica um piegas
barato sobre amor terminado. Sou sim o livro desbotado da estante mais descascada,
fui usado e abusado, numa forma prazerosa de que me lessem e comessem com os
olhos.
Mas o principal
aqui não é o término, ou amor, ou alma e etc., esses são os panos de fundo que
cobrem o final da encenação que são divididos cada um na sua etapa chamada de
cadeia complementar, retomando como disse anteriormente, o foco principal não é
sobre nenhum desses temas, o foco aqui é a vida como um todo, e o que se passa
nela enquanto ser vivente, e a melhor palavra e o sentimento que expõe as
minhas fraturas, é o amor, por isso deu discorrer tanto sobre esse tema que vem
me acompanhando há anos, desde o berço, e de lá para cá só tem piorado. A forma
como eu amo a forma como as pessoas me amam, achava eu numa fase bem atípica da
minha vida que todos deveriam seguir a minha cartilha, e não me decepcionar é
porque os tombos que eu levei considerados poucos admito, mais terminais. A
gente circula, circula, da voltas e acaba morrendo nessas palavras supérfluas que
não acrescentam de nada a vida, talvez esse seja um dos motivos porque gosto de
jogar no papel, assim me livro do que não me faz bem, e que encardi a esperança
que eu tenho de voltar a sorrir mesmo ontem eu tendo chorado. Acho que não
consigo ir mais além, vou ficando por aqui com a leve certeza de que o meu poço
de lamentações esvaziou, e que de lá do alto da torre eu vou morrendo seco porque
a terra está longe das raízes. É eu morri aqui, inda bem que não escrevo pra
viver, se não estava passando fome. Até um próximo lamento, ou uma peça
decadente que eu venha a fazer, convindo a se sentarem na primeira fila, da
decadência que não sai de cartaz. Bons dias. Até me desculpando eu reclamo. E
ainda reclamo. Ah!
(Vinicius Sousa)
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