Sobre o que escrever agora?
Parecem tantos meses que ainda não sei se existe ou se já morreu pra mim. São
apenas duas semanas, e os conflitos já nem existem mais, e te pergunto, por
isso estamos frios? Por isso estamos separados? Por isso estamos nos perdendo?
Eu me choquei hoje e semana passada num mar de fotos e lembranças boas e do que
poderíamos ter sido, mas é só minha ilusão. Eu sou apenas um refém dos meus
sentimentos.
Alguns já passaram por mim, e eu
procurei você neles, algum resquício que lembrava você, mas não completava todo
o mosaico. Indago-me se é amor isso que eu sinto por você. Não é vazio, porque
vazio é um buraco esperando ser preenchido. É saudade de que algo que volta de
um xodó por assim dizer. De um bem querer tão longe daqui, que exalo ao
cheirar-te.
Procurei na bagunça das minhas emoções,
um começo nosso que fosse sólido, ainda procuro. Sonhei com você hoje enquanto
cochilava, você apareceu todo borrado com uma mala nas mãos e uns óculos de
sol, podia ouvir turbinas de avião, ver gente indo e vindo de um lado pro
outro, guichês repletos de pessoas eufóricas porque faltavam apenas duas
semanas para o natal, me dei conta que era dezembro, mas você não sorria, e que
mentira a minha, eu só de te vi mesmo borrado em sonhos o resto foi só desejo.
As aves que migram, os barcos que
velejam, o meu corpo que cai o seu que se decaí sobre o meu. Tristes histórias
foram marcadas por momentos felizes, e você chora porque tudo que foi bom te
causa lágrimas, e eu lamento ter dizer isso, não vai ser como antes vai? A flor
da minha boca desabrochando nos teus lábios, e eu mais uma vez retornando aos
clichês. O dia está amanhecendo e eu estou com medo, cada dia que passa é menos
um. Será que vai chegar o nosso dia?
(Vinicius Sousa)
Nenhum comentário:
Postar um comentário